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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

mosquitos


iguarias para matar mosquitos

De que comida vivem os mosquitos? Banquetes fartos de sangue humano, que lhes distendem os abdomes e os deixam quase incapazes de se mover – certo?
Na verdade, não.
Para colocar ovos, as fêmeas precisam de sangue pelo ferro e proteínas. Mas geralmente os mosquitos sobrevivem de modestos goles do néctar de flores ou de frutas maduras ou em decomposição.
E isso, segundo cientistas da Universidade Hebraica, em Jerusalém, é um calcanhar de Aquiles – ou 'tromba’ de Aquiles – pelo qual eles também podem ser envenenados.
''Não se pode mover árvores florindo por aí’', disse Yosef Schlein, parasitologista do grupo médico da universidade. ''Então precisamos usar iscas móveis. Foi assim que chegamos ao suco de frutas’'.
Financiado por uma bolsa da Fundação Bill e Melinda Gates, Schlein e o pesquisador Günter C. Müller desenvolveram uma série de venenos de néctar conhecidos como Iscas Atraentes de Açúcar Tóxico – que são fáceis de fazer, ecologicamente corretas e baratas. Em testes realizados em Israel e na África Oriental, as iscas reduziram em 90 por cento as populações de mosquitos. E ainda melhor, elas quase eliminaram as fêmeas mais velhas, consideradas os espécimes mais perigosos.
Somente as fêmeas picam humanos e apenas mosquitos que já contraíram malária, dengue ou outras doenças de um humano podem injetá-la com sua saliva em outros humanos.
Bruce W. Christensen, especialista em mosquitos da Escola de Veterinária da Universidade de Wisconsin (e não envolvido na pesquisa), classificou o néctar venenoso como ''uma coisa muito legal’'. ''Já se falava nisso há algum tempo’', afirmou ele, ''mas eles foram os primeiros a realmente chegar lá’'.
Kathryn S. Aultman, que supervisiona a verba de quase US$ 1 milhão que a Fundação Gates colocou no trabalho até agora, declarou: ''Estou muito contente e animada com os primeiros resultados. É maravilhoso que possamos libertar nossas imaginações para tentar alguns desses conceitos’'.
Müller e Schlein testaram sua ideia há cinco anos, num oásis deserto próximo ao Mar Vermelho. Espalhando vasos de ramos floridos, eles descobriram que as acácias – árvores espinhosas comuns na África – atraiam a maioria dos mosquitos. Eles borrifaram os ramos com uma mistura de açúcar e Spinosad, inseticida bacteriano considerado inofensivo aos humanos e à maioria dos insetos benéficos. Os mosquitos que se alimentaram dessa mistura morreram.
Seu teste seguinte foi num monastério grego ortodoxo nas colinas da Judeia, onde mosquitos punham seus ovos em cisternas subterrâneas de armazenamento de água da chuva.
Eles encheram velhas garrafas de refrigerante com uma solução de açúcar mascavo, suco de pêssegos em decomposição, Spinosad e um corante. Cada garrafa foi inserida numa meia com um pavio, que ajudava a meia a se manter ensopada com o elixir fatal. Então, penduraram uma isca na abertura de cada cisterna. Mais tarde, armadilhas mostraram que até 97 por cento de todos os mosquitos da região estavam marcados com o corante, significando que haviam pousado sobre uma meia tóxica ao menos uma vez. Dentro de uma semana, a população de fêmeas havia sido reduzida a quase zero – permanecendo assim por um mês.
Seu estudo mais recente, publicado em Malaria Journal, foi conduzido na África Oriental, onde a malária causa muitas mortes – especialmente de crianças pequenas.
Os cientistas escolheram uma estrada rural em Mali, onde cresciam duas espécies agressivas de mosquitos – 'Anopheles gambiae’ e 'Anopheles arabiensis’. Eles borrifaram o mato de lá com uma solução do suco fermentado de goiabas e melões locais, misturado com corante e ácido bórico.
Dentro de alguns dias, 90 por cento das espécies haviam morrido.
O ácido bórico é muito mais barato do que o Spinosad e é tão inofensivo a humanos quanto o sal de mesa. Schlein disse ter ficado sabendo de alguns malineses terem provado a fermentação alcoólica da isca, sem efeitos nocivos.
Porém, o ácido mata os insetos que se alimentam dele. Ele é comum no controle de baratas; quando uma fina camada é borrifada sobre o piso, as baratas o consomem quando alisam as patas. ''Você pode comprá-lo em grandes quantidades’', explicou Christensen. ''E ele mata de tantas formas que nunca houve resistência a ele. Algumas autoridades acham que nunca haverá’'.
Dois conceitos ainda precisam ser testados, segundo especialistas.
Embora claramente funcione em regiões áridas, onde há poucas árvores ou flores, será que o sistema funcionaria em selvas, florestas ou plantações – onde há muitas fontes concorrentes de néctar?
E com que frequência a pulverização deve ocorrer? Os inventores esperam que uma vez por mês seja o bastante.
Mais de um cientista apontou que a ideia do néctar tóxico parecia tão simples que era uma surpresa ninguém ter pensado nisso antes.
''Se você é um acadêmico universitário, você recebe crédito por publicações sofisticadas’', disse Schlein. ''Não há muito crédito para ideias simples’'.
The New York Times

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