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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Diabetes Insulina

Tratamentos se renovam, mas nem todos são eficientes

26/02/2009 - 19h33 (Laila Magesk - Da Redação Multimídia)
O Vida Saudável conversou com renomados endocrinologistas do país para descobrir o que há de mais novo no tratamento dos diabetes tipos 1 e 2. Entre as indicações dos especialistas, estão bombas de infusão de insulina, medicamentos orais e insulinas de ponta, tratamentos com células-tronco e até uma tatuagem no pulso que troca de cor de acordo com as variações da glicemia. Algumas apostas de anos anteriores não deram o resultado esperado, mas outros tratamentos surpreenderam, e o melhor: foram desenvolvidos aqui no Brasil. Mas o endocrinologista Rogério Oliveira lembra que não adianta ter o melhor tratamento se a pessoa não usar. "O diabético tem que ser conscientizar, porque a doença pode se tornar um amigo e ajudar você viver bem", aconselha. Independente do tratamento, é importante ressaltar que sempre o médico irá avaliar e receitar o melhor para cada paciente.

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Insulina inalada: complicada
Segundo o médico Reginaldo Albuquerque, membro do Conselho Científico do site da Sociedade Brasileira de Diabetes, em 2007 havia uma grande esperança em quatro novas drogas para o tratamento do diabetes: a família das glitazonas, o rimonabanto, o grupo das incretinas e a insulina inalada. Mas em 2008, exceto as incretinas, as demais traziam mais problemas do que benefícios. "Algumas foram retiradas do mercado - caso do rimonabanto - outras passaram a usar, por exigência do FDA, tarjas pretas nas suas bulas com advertências que iam desde a possibilidade de fraturas até importantes problemas mentais", alerta.

Insulina inalada

Ainda de acordo com o médico, um dos casos mais emblemáticos foi o da insulina inalada. "Lançada com grande pompa e festas no mundo inteiro, foi retirada do mercado meses após o lançamento. A insulina inalada parecia atrativa, desde que existisse no pulmão uma grande área de absorção. Mas o aparelho era tão complicado que foi necessário a criação de um mnemônico para ajudar no seu uso; a manutenção não era barata (limpeza semanal e substituição bimensal de uma válvula interna); a insulina era empacotada num blister de 1 e 3 mg, que necessitava de conversão para unidades de insulina, sendo os pacientes aconselhados a usar um cartão para fazer a conversão e, por último, os pacientes deveriam continuar a usar insulina injetável de longa duração. Fora, o receio que pudesse provocar, em alguns casos, o aparecimento de câncer de pulmão", explica.

Aplicação de insulina: novidades

Insulinas

"Hoje, há no mercado novas insulinas que dão menos hipoglicemia e não tem picos. Elas representam certa segurança, principalmente, para os pacientes mais jovens. Essas têm custo bastante elevado; o tratamento mensal gira em torno de R$ 300,00. Já as fornecidas pelos governo,variam de R$ 30,00 a R$ 40,00 por mês", afirma o médico endocrinologista Reginaldo Albuquerque. A endocrinologista e coordenadora do S.A.D Rachel Torres, diz que as insulinas de ponta - consideradas humanas- praticamente não dão rejeição e alergias aos pacientes.

Medicamentos

"No Brasil, nós temos todos os medicamentos disponíveis no mundo inteiro. Isso no mercado privado. Já no público, o governo padroniza alguns medicamentos muito antigos - poucos usados na prática clinica diária", diz o Reginaldo Albuquerque. Segundo ele, existe um conjunto de medicamentos orais chamados incretinas - trabalham via pâncreas estimulando ou inibindo a liberação de insulina ou do glucagon. Esses são os medicamentos mais recentes. Mas o gasto mensal é alto: varia de R$ 200,00 a R$ 300,00. "Nós estamos em um período difícil e de transição em relação aos novos medicamentos. Sabemos que alguns desses medicamentos orais não funcionaram como esperávamos".



Vacina

Os médicos entrevistados disseram que a vacina ainda é questionável. Segundo eles, os estudos sobre o assunto não avançaram muito.

Tatuagem

O endocrinologista Rogério Oliveira - diabético tipo 1 desde o três anos de idade - lembra que a doença bem controlada deixa de ser uma inimiga e se torna uma aliada à vida saudável. Através do doutor, conhecemos uma novidade animadora: a tatuagem que muda de cor de acordo com a glicemia. "O diabético faria uma tatuagem no pulso e, de acordo com a glicemia, a tatuagem iria mudar de cor. Em vez de olhar o glicosímetro, você olha a cor. A previsão é que em dois anos comece a comercialização. A experiência está sendo feita na Inglaterra", conta o médico.

Bietta (exenatida)

Ainda segundo o endócrino, a exenatida é um excelente medicamento. "É um remédio injetável, produzido através da saliva do lagarto americano, que reduz a glicemia e o peso. É recomendado para diabéticos tipo 2 que tem excesso de peso. O resultado é muito bom", elogia o médico.

Cirurgia bariátrica

"Somente é indicada aos diabéticos tipo 2, com mais de 160 kg. Inclusive, ela tem sido divulgada como solução para diabéticos tipo 1 e não é verdade. O valor é alto - chega a R$ 35 mil. A maioria dos especialistas recomendam apenas para obesos, pessoas com hipertensão e problemas respiratórios. Em alguns casos, a cirurgia cura o diabetes. Mas nós ainda olhamos essa cirurgia com algumas restrições. Depois de cinco anos, alguns pacientes apresentam desnutrição, se tornam alcoólatras e voltam a ganhar peso", alerta o médico Reginaldo Albuquerque.

Medula óssea

"Estudos com células da medula óssea feitos em Ribeirão Preto, em São Paulo, pelo doutor Júlio Voltarelli, conseguiram uma remissão da doença - a pessoa fica livre do uso de insulina por um determinado tempo - na maioria dos casos. Já têm pacientes tratados hás dois e três anos que deixaram de tomar insulina ou usam doses bem menores. No entanto, a técnica só funciona com crianças de até seis semanas de diabetes tipo 1. No tipo 1, o pâncreas é destruído por um processo auto-imune. A doença se estabelece por uma destruição das células betas. Caso as pessoas consigam ser tratadas com menos de seis semanas - ainda não ocorreu a destruição total do pâncreas - o médico consegue com a substituição do sangue por uma infusão de células-tronco da medula óssea, uma remissão do diabetes. Essa experiência inovadora também já foi feita em outros lugares do mundo?, explica Reginaldo Albuquerque.

foto: divulgação
Bomba de infusão inteligente
Bomba de insulina

Substância acoplada ao corpo que faz mais ou menos o papel de um pâncreas artificial, liberando a quantidade necessária de insulina a cada momento. É um parelho computadorizado programável que faz envio de insulina para o subcutâneo do portador de diabetes. Utiliza um reservatório de insulina e uma cânula (agulha não metalizada) que fica inserida no subcutâneo e que deve ser trocada a cada três dias. Tem o tamanho de um celular médio, pesa em torno de 100g e deve ser utilizada continuamente.

Bomba inteligente

Existe no mercado uma marca de bomba inteligente. Ela tem todas as características da tecnologia das bombas de insulina com o benefício da monitorização contínua de glicose em tempo real. Na tela é disponibilizado um resultado numérico a cada cinco minutos (288 exames num período de 24 horas), assim como dois gráficos de tendência e setas indicativas da direção e velocidade de oscilação da concentração de glicose (todo dia e toda noite). Desta forma, é possível avaliar de que modo as refeições, os exercícios, os medicamentos e o estilo de vida afetam os níveis glicêmicos.

1. As vantagens

"Para sair com a bomba é muito melhor. Minha filha pode se alimentar com comidas normais, em pequenas quantidades. Ela não precisa ficar o tempo todo com medo", explica a dona-de-casa Ana Cláudia Corrêa, mãe de uma adolescente que usa o produto. Já o que a Ana Carolina mais gosta na bomba é a liberdade. "Não me limito mais. Tanto na alimentação, quanto no lazer", afirma. É importante lembrar que quem usa o aparelho não pode abusar, mas pode comer doces e praticar exercícios com mais tranquilidade.

2. Desvantagens

O alto custo. O tratamento não está disponível na rede pública de saúde. E o valor varia de R$ 10 a R$ 16 mil. E a manutenção custa em torna de R$ 1 mil.

3. Indicações

Dificuldade em normalizar a glicemia
Hipoglicemias recorrentes
Hipoglicemias assintomáticas
Paciente que quer flexibilidade na rotina diária e melhor qualidade de vida
Pacientes c/ históricos de internações em consequência do diabetes

4. Características do paciente

Disposto a monitorar a glicemia várias vezes ao dia
Seguir orientação alimentar
Seguir as recomendações médicas

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