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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TDAH em crianças pequenas

Tratamentos de TDAH em crianças pequenas


25/10/2011 19:37
Ruth Grau descobriu que seu filho sofria do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) quando ele tinha 3 anos. A ideia de medicá-lo a aterrorizava, então ela e seu marido tentaram uma abordagem alternativa: exercícios, terapia ocupacional e uma alimentação livre de porcarias – nada de doces, laticínios, comidas processadas.

Quando o menino tinha 4 anos, eles iniciaram um programa de modificação de comportamento com a ajuda de um psiquiatra. Mas quando entrou no jardim da infância, ele ainda ''não se sentava, incomodava os outros, não focava na tarefa, não parava de falar, queria sair da sala e brincar’', contou Grau, de 46 anos, proprietária com o marido de uma agência de viagens chamada Springboard Vacations, em Redondo Beach, Califórnia. ''Ele tinha uma professora maravilhosa, mas continuava regredindo cada vez mais’'.

Quando a criança tinha 5 anos, o psiquiatra começou com os remédios e embora Grau não tenha compartilhado essa informação com a professora, ela sentiu uma diferença imediatamente.

''Ela nos telefonou no mesmo dia e disse: 'Não sei o que vocês fizeram, mas ele estava muito melhor hoje na classe’'', disse Grau. Sobre a decisão de medicar seu filho, ela declarou: ''Não me arrependo nem por um segundo’'.

Embora o metilfenidato, estimulante usado para tratar o TDAH e vendido sob as marcas Concerta e Ritalina, não seja aprovado para uso em crianças menores de 6 anos, os médicos têm permissão para prescrevê-lo. E agora devem aumentar a frequência. Na semana passada, a Academia Americana de Pediatria revisou suas diretrizes de tratamento de TDAH, dando aos médicos o sinal verde para prescrever remédios mesmo a crianças em idade pré-escolar com TDAH – se os esforços comportamentais não funcionarem.

Mas as novas diretrizes levantam difíceis questões aos pais. Enquanto algumas crianças podem se beneficiar muito do tratamento com drogas, muitos críticos dizem que os americanos costumam ser rápidos demais ao adotar a medicação em vez da disciplina ou das mudanças em estilo de vida.

Segundo recente estudo americano realizado conjuntamente pelos Institutos Nacionais de Saúde e a Agência de Pesquisa e Qualidade do Serviço de Saúde, o número de crianças entre 6 e 12 anos tomando estimulantes para TDAH vem aumentando constantemente nos últimos anos, de 4,2 por cento de todas as crianças, em 1996, para 5,1 por cento em 2008. Psicólogos comportamentais que trabalham com crianças pequenas dizem que pode ser difícil distinguir entre uma criança de 5 anos saudável e ativa e uma com TDAH.

''Você está tentando diferenciar o que pode ser a norma, um comportamento desorganizado, ativo e distraído numa criança de 4 anos, que para um adulto pode ser difícil de controlar, de algo que se qualificaria como um diagnóstico de TDAH’', explicou Rahil Briggs, psicóloga e diretora do Health Steps Program no Hospital Infantil de Montefiore, no Bronx.

E o TDAH ''é um diagnóstico realmente forte e pode levar a uma variedade de intervenções que podem ser inapropriadas ou até mesmo bastante prejudiciais’', acrescentou ela.

As novas diretrizes divulgadas pela academia de pediatria apoiam o uso do metilfenidato para uma finalidade não especificamente aprovada pelo FDA (órgão americano que regula alimentos e medicamentos). E as provas de sua segurança e eficácia em crianças menores de 6 anos é limitada.

Mais de dez estudos pequenos foram conduzidos sobre crianças bem jovens tomando o medicamento, mas apenas um experimento clínico grande, de longo prazo e aleatório com crianças de 3 a 5 anos foi concluído. Antes desse experimento, chamado Estudo de Tratamento do TDAH Pré-escolar, conduzido sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Saúde Mental americano, todos os 303 pré-escolares e seus pais participaram de uma terapia comportamental de dez semanas. Quase um terço das crianças que concluíram o programa de modificação comportamental não prosseguiu para a fase do medicamento, muitos porque seu comportamento havia melhorado tanto que não precisavam de tratamentos adicionais.

Embora os sintomas de TDAH em crianças pré-escolares tenham diminuído com a medicação, o experimento também descobriu que as crianças mais novas não se beneficiavam tanto quanto as mais velhas e em uma fase do estudo, sua melhora não era significativamente melhor do que com um placebo. Crianças mais novas também se mostraram mais sensíveis a efeitos colaterais adversos.

Muitas crianças perderam peso e pararam de crescer. Outras sofreram insônia, perda de apetite, mau humor e nervosismo. Uma em cada dez crianças abandonou o estudo porque os efeitos colaterais eram intoleráveis. O Dr. Mark Wolraich, que era presidente do subcomitê para TDAH da Associação Americana de Pediatria, enfatizou que as novas diretrizes para a prescrição de remédios a crianças mais novas são bastante conservadoras.

''Estamos dizendo que elas devem passar por uma intervenção comportamental antes e devem ter sintomas de moderados a graves, não apenas os leves, antes de se pensar na medicação’', explicou Wolraich. ''Estamos descrevendo sintomas muito mais generalizados, algo mais rigoroso do que fazemos com crianças mais velhas’'.

Wolraich, chefe da seção de pediatria comportamental e de desenvolvimento no centro de ciências da saúde da Universidade de Oklahoma, em Oklahoma City, reconheceu que ele mesmo trabalha ocasionalmente como consultor para companhias farmacêuticas que vendem remédios contra TDAH, incluindo Eli Lilly e Shire Pharmaceuticals. Ele disse ter sido compensado por oferecer conselhos especializados sobre como os medicamentos poderiam ser aprimorados para o uso infantil.

O Dr. Lawrence Diller, pediatra comportamental de Walnut Creek, na Califórnia, que há tempos se preocupa com o uso excessivo de drogas como o metilfenidato, afirmou que as intervenções comportamentais sempre devem ser tentadas antes de usar qualquer medicação.

''Sinto-me realmente encorajado por eles estarem promovendo a intervenção comportamental para crianças pequenas’', disse Diller. Mas as novas diretrizes também elevam a idade mínima para prescrever remédios contra TDAH de 12 para 18 anos.

''Minha dúvida é a seguinte: por que eles não estão promovendo a modificação comportamental também para as crianças mais velhas?'' questionou ele. ''A intervenção comportamental já mostrou, em crianças mais velhas, evitar a necessidade de medicação ou reduzir a quantidade que precisa ser ingerida’'.

Fonte: msn - The New York Times

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